4 de nov de 2010

República Francesa, Federação revolucionária das comunas (1870)


Introdução

O conteúdo desse cartaz foi recuperado por Max Nettlau em seu excelente prólogo ao tomo I das Obras Completas de Bakunin em sua edição francesa. Nós a reproduzimos como preâmbulo da Carta à Esquiros com o propósito de que suas proclamações, mas sobretudo o seu significado sejam valorizados pelos revolucionários de hoje em dia, além de servir para ser para completar com o que já é indicado na Carta  à Esquiros.

O valor do chamado às armas varre com todas as especulações e mentiras difundidas pelos defensores o Estado, brancos e vermelhos, sobre a condição de intelectual do próprio Bakunin. Mas o propósito central dessa reprodução é introduzir estes documentos ao debate, com o fim de constatar as tarefas e os métodos dos revolucionários a luz de um conflito entre uma nação rendida, como era o caso da França, e uma potência militar e comercial, a Prússia.

Bakunin apela a necessidade de explorar os sentimentos naturais e lógicos de uma população que se vê ameaçada perante um invasor estrangeiro. Seria um nacionalismo francês em Bakunin? De forma alguma. Só basta recordarmos que a Liga da Paz e da Liberdade, e inclusive as seções latinas da Associação Internacional dos Trabalhadores, se opuseram a avançada imperialista da França e da casa de Habsburgo durante a intervenção no México [1], que Bakunin também defendeu.
 


Longe do patriotismo proveniente da burguesia, Bakunin sempre denfendeu a idéia de defender a justeza dos sentimentos nacionais das massas exploradas e oprimidas, entendendo sempre que estes eram produto de sua ida diária, e por tanto sinceros, demonstrando que é o Capital que não consegue sentir afeto pelo seu lugar de nascimento. 

OPAR - Organização Popular Anarquista Revolucionária. Algumas palavras de introdução da Carta à Esquiros (1870) de Mikhail Bakunin.


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República Francesa,
Federação revolucionária das comunas

A situação desastrosa em que se encontra o país; a impotência dos poderes oficiais e a indiferença das classes privilegiadas,  colocaram a nação francesa na borda do abismo.

Se o povo organizado revolucionariamente não atuar logo, seu futuro está perdido, a revolução está perdida, tudo estará perdido. Inspirando-se na imensidão do perigo, e considerando que a ação desesperada do povo não poderá ser adiada nem mais um instante, os delegados dos comitês federados da salvação da França, reunidos em seu Comitê Central, propõem adotar imediatamente as seguintes resoluções:

ARTIGO PRIMEIRO.  A máquina administrativa e governamental do Estado, agora impotente, está abolida. O povo da França está em posse de si mesmo.

ARTIGO 2. Todos os tribunais criminais e civis ficam suspendidos e substituídos pela justiça do povo.

ARTIGO 3. Os pagamentos do imposto e das hipotecas estão suspensos. O imposto fica substituído pelas Contribuições das comunas federadas, abatidas sobre as classes ricas, proporcionalmente as necessidades da salvação da França.

ARTIGO 4. O Estado, estando abolido, já não poderá intervir, no pagamento das dívidas privadas.

ARTIGO 5. Todas as organizações municipais existentes são substituidas em todas as comunas federadas por Comitês de salvação da França, que exercerão todos os poderes sobre o controle imediato do povo.  

ARTIGO 6. Cada comitê chefe de departamento enviará dois delegados para formar a convenção revolucionária de salvação da França.

ARTIGO 7. Esta Convenção se reunirá imediatamente no Município de Lyon, como a segunda cidade da França e a mai capaz de promover energicamente a salvação do país. 

Esta Convenção, apoiada pelo povo intero, salvará a França.
Às armas!

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