4 de nov de 2010

Carta a Esquiros (outubro, 1870)


Algumas palavras de introdução

A seguinte carta de Bakunin – a pesar de ser pouco conhecida pela maioria da esquerda anti-capitalista -  dá conta, em planos gerais, de qual era a inspiração que orientava seu pensamento e ação no contexto da guerra franco-prussiana.

Bakunin e alguns de seus amigos, no dia 28 de setembro de 1870, no Município de Lyon, através da formação do Comitê para a Salvação da França, inspirado pelo russo, estabelecem ao proletariado lionês a dissolução do Estado como condição sine qua non para uma verdadeira defesa da França ante a invasão prussiana.

Para isso, Bakunin e os membros do Comitê colocaram por toda a cidade e seus arredores cartazes vermelhos com a proclamação inssurreicional para um levante camponês e operário como única via para a salvação da França.

 
O conteúdo desse cartaz foi recuperado por Max Nettlau em seu excelente prólogo ao tomo I das Obras Completas de Bakunin em sua edição francesa. Nós a reproduzimos como preâmbulo da Carta a Esquiros com o propósito de que suas proclamações, mas sobretudo o seu significado sejam valorizados pelos revolucionários de hoje em dia, além de servir para ser para completar com o que já é indicado na Carta a Esquiros.

O valor do chamado às armas varre com todas as especulações e mentiras difundidas pelos defensores o Estado, brancos e vermelhos, sobre a condição de intelectual do próprio Bakunin. Mas o propósito central dessa reprodução é introduzir estes documentos ao debate, com o fim de constatar as tarefas e os métodos dos revolucionários a luz de um conflito entre uma nação rendida, como era o caso da França, e uma potencia militar e comercial, a Prússia.

Bakunin apela a necessidade de explorar os sentimentos naturais e lógicos de uma população que se vê ameaçada perante um invasor estrangeiro. Seria um nacionalismo francês em Bakunin? De forma alguma. Só basta recordarmos que a Liga da Paz e da Liberdade, e inclusive as seções latinas da Associação Internacional dos Trabalhadores, se opuseram a avançada imperialista da França e da casa de Habsburgo durante a intervenção no México [1], que Bakunin também defendeu.  

Longe do patriotismo proveniente da burguesia, Bakunin sempre denfendeu a idéia de defender a justeza dos sentimentos nacionais das massas exploradas e oprimidas, entendendo sempre que estes eram produto de sua ida diária, e por tanto sinceros, demonstrando que é o Capital que não consegue sentir afeto pelo seu lugar de nascimento.

A força das nações oprimidas, sua potencialidade revolucionária, é precisamente a essência do manifesto insurrecional do Comitê para a Salvação da França, e é exatamente isso que explica Bakunin ao cidadão Esquiros em sua carta de 20 de outubro de 1870.

O Império prussiano liderado por Bismark cercou a França com o propósito de impor a hegemonia do seu poder na Europa continental, em acordo prévio com a Rússia Csarista.

Na verdade, nessa época a Prússia era a maior potencia política, econômica e militar e os efeitos dessa dominação podia-se apreciar claramente no anti-pangermanismo eslavo e francês.

Bakunin, lutador incansável do proletariado, patriota de todas as pátrias oprimidas, não podia deixar de senti no mais profundo de suas convicções, um implacável sentimnto de indignação com a pilhagem germânica e de solidariedade com os povos oprimidos.

Por essa razão, Bakunin desenvolve na última fase de sua vida uma grande luta pela libertação de diversas pátrias subjugadas, com a firme convicção de que só o proletariado ama verdadeiramente sua pátria e pode defender-la, e que a burguesia não defende nenhum interesse, muito menos a pátria, além daquele de preservar e acrescentar seu capital, e que a luta armada contra a opressão e o despotismo de Bismark e dos Csares mostraria aos camponeses e operários a única via possível para conquistar a liberdade, ou seja, a destruição do Estado e a expropriação violenta dos meios de produção como conseqüência lógica e inevitável da constatação de que estes dois são inimigos da libertação popular.

Apesar dos chamados do Comitê e das mobilizações do proletariado que responderam ao chamado, a burguesia republicana paralisou a ação espontânea das massas, em muitos lugares da França. Com o intuito de reestabelcimento geral da ordem, o procurador da republica Andriex envia a ordem de prender Bakunin, por meio de um mandato de comparecimento que pediu ao comandante da guarda republicana, Paul Gravard, para executar-lo.

Bakunin, conhecendo as intenções o poder central, se refugia nas redondezas de Marsella, aonde escreve o seguinte documento direcionado a um velho socialista moderado – que era administrador superior de Bouches-du-Rhone – Alphonse Esquiros, que simpatizava com Bakunin, que garantiu aos amigos deste que não iria prender-lo, mesmo que o governo central lhe mandasse.

Nessa carta Bakunin expõe de maneira concisa e clara as medidas que deviam ser adotadas naqueles momentos para a efetiva salvação da França; paralisada por conta da impotência, a covardia e estupidez manifesta dos burgueses republicanos do governo de Defesa Nacional: a organização revolucionária da ação espontânea das massas populares, com uma direção nacional emanada do seu próprio seio, quer dizer, por fora e se direcionando contra a podre e velha maquina estatal bonapartista francesa, subjugada e em clara colaboração com a reação prussiana.

Além disso, no mesmo documento,Bakunin defendeu a importância que tinha o proletariado europeu no difícil caminho que a humanidade faz ruma a humanidade, e de seu grande dever histórico como primeiro e último representante do homem explorado e oprimido desta terra.

Ainda sob a mira de calúnias – como as que caíram sobre ele pelo lado dos burgueses o governo de Defesa Nacional e que acusaram o russo de ser um agente prussiano -, e de uma perseguição implacável, Bakunin expôs de forma lúcida a tese central de seu pensamento e sua posição política nesse contexto histórico que, mantendo sua vigência na atualidade, com respeito a essência geral e imutável da burguesia que hoje chamamos de esquerda e sua mentirosa política conciliadora e entreguista perante o Império; que tantos prejuízos trás para a causa dos explorados e oprimidos, deve ser recordada por todos os revolucionários da atualidade.

Bakunin faz referencia ao seu folheto Cartas a um Francês sobre a crise atual. Este documento é sem dúvida um dos que melhor expõe as tese de Bakunin sobre a revolução proletária, o papel do campesinato, o papel dos partidos burgueses, etc.

Infelizmente este é um documento de difícil acesso, e por essa razão, buscamos que estes dois documentos aqui apresentados sirvam para esclarecer as concepções defendidas por Bakunin, a quem não as conhece.

Mas, além disso, buscamos que o leitor consiga confrontar estas teses a luz das circunstancias atuais aonde o Capital/Imperialismo mantêm em cheque os povos periféricos e semi-periféricos.

Estes documentos despertarão interesses especiais ao leitor latino americano, assim como a comparação, pendente e muito necessária, que apresenta a dinâmica imposta pelo imperialismo dos Estados Unidos em nossos povos com as ambições hegemônicas da Prússia. Particularmente quando a necessidade do saque imperialista produto da desaceleração – crise – econômica mundial impõe que as garras imperialistas apertem com maior força sobre a América Latina e isso sem dúvida provocará novos cenários como a guerra franco-prussiana, ao qual devem ser aproveitados pelos revolucionários para criar novas Comunas de Paris.

Aprendamos hoje com as lições que legou o proletariado francês e que muito bem conceituou e sistematizou Bakunin nestes documentos; e apliquemos na realidade de nossos dias defendendo o programa do Anarquismo Revolucionário e sua intervenção na luta de classes.

Avante proletários do mundo!

Derrotemos à ofensiva imperialista na América Latina!


Organização Popular Anarquista Revolucionária

Junho de 2008  

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Carta a Esquiros*
Mikhail Bakunin
Cidadão e Senhor,

Eu tive a honra de vos endereçar, por um de meus amigos de Marselha, uma brochura que publiquei sob o título: Lettres à un Français sur la crise actuelle.

Ela contém cartas escritas no mês de agosto, bem antes da capitulação de Sedan. Mas o editor, meu amigo, que as encurtou singularmente, para não dizer que as castrou, acreditando sem dúvida que ainda não era o momento para dizer toda a verdade, achou por bem também datá-las de setembro.

Estas cartas - endereçadas a um amigo, ao cidadão Gaspard Blanc de Lyon, um dos jovens mais devotados ao bem da França que encontrei, e que o Sr. Challemel-Lacour, comissário extraordinário, mantém na prisão sob a acusação ridícula e odiosa de ser um agente dos prussianos - vos provarão, espero, cidadão Esquiros, que eu também não sou nem partidário do rei da Prússia, nem de nenhum déspota do mundo.

O Sr. Challemel-Lacour e o Sr. Andrieux, Procurador da República em Lyon, ousaram levantar contra mim esta calúnia infame. Certo, não serei eu que me queixarei da vivacidade da polêmica entre partidos que se combatem. Aliás, não teria o direito de fazê-lo, pois eu também, quando e tanto quanto eu pude, mostrei-me impiedoso pelos interesses, pelos homens e pela organização política e social da qual esses Senhores aparecem, hoje, como os defensores naturais, em detrimento do bem da França, e que em seu conjunto constituem a nefasta potencialidade atual da burguesia. 

Ataquei duramente os princípios e os, por assim dizer, direitos de meus adversários em política e em socialismo. Mas jamais atingi as pessoas, e sempre tiver horror à calúnia.

É um meio tão cômodo, não é verdade? O de lançar hoje esse epíteto de prussianos a todos os homens que têm a infelicidade de não poder dividir um entusiasmo encomendado por esses falsos salvadores da França, cujas inércia, incapacidade e impotência enfatuada, em si mesma, destroem a França.

Uma outra pessoa em seu lugar, cidadão Esquiros, teria podido me perguntar: em que isto vos pode interessar, a vós que sois estrangeiros? Ah!, senhor, é preciso que eu vos prove que a causa da França tomou-se a do mundo; que a derrota e a decadência da França serão a derrota e a decadência da liberdade, de tudo o que é humano no mundo? Que o triunfo definitivo da idéia e da força da Prússia, militares e burocráticas, nobiliárias e jesuiticamente protestantes, será a maior infelicidade que possa atingir toda a Europa. Se a Prússia vencer, a humanidade européia sofrerá pelo menos cinqüenta anos; e a nós, os velhos não nos sobrará nada, a não ser a morte. E lamentável! Eu deveria reconhecer que meu amigo, já falecido, Alexandre Herzen, teve razão, após as nefastas jornadas de junho de 1848, - jornadas durante as quais a burguesia de Paris e da França erigiram o trono de Bonaparte sobre as ruínas das esperanças e de todas as aspirações legítimas do proletariado, - que ele teve razão ao proclamar que a Europa ocidental dali em diante estava morta, e que para a renovação, para a continuação da história, só restavam duas fontes: a América, de um lado, e, do outro, a barbárie oriental.

Advogado, não de vosso mundo burguês oficial, mundo que eu detesto e que desprezo de todo meu coração, mas da revolução ocidental, eu sempre defendi esta revolução contra ele. Após ter sido um dos ardentes adeptos desta revolução, ele não acreditava mais, de forma alguma. Eu continuava a acreditar nela, apesar da catástrofe, apesar do crime cometido pela burguesia em junho. Ele dizia que a Europa ocidental estava, a partir dali, petrificada e podre, que ela se tinha tornado temerosa e covarde, sem fé, sem paixão, sem energia criadora, como outrora o Baixo-Império. Eu concordei com ele em relação à vossa civilização burguesa, mas objetei-lhe que na Europa ocidental, abaixo da burguesia, havia um mundo bárbaro sui generis: o proletariado das cidades e os camponeses que, não tendo abusado e nem mesmo usado da vida, não tendo sido depravados nem sofisticados por esta civilização caduca, mas, ao contrário, continuando a ser moralizados sempre por um trabalho que, por mais oprimido e por mais escravo que seja, não é menos, por isso, uma fonte viva de inteligência e de força, estão ainda cheios de futuro; e que por conseqüência não havia necessidade de uma invasão da barbárie oriental para renovar o ocidente da Europa, tendo o ocidente em suas regiões subterrâneas uma barbárie própria que a renovaria na hora devida.

Herzen não acreditava em nada disso, e ele foi morto por seu ceticismo, muito mais que por sua doença. Eu, ao contrário, estava cheio de fé; eu fui socialista-revolucionário não somente na teoria, mas na prática; quer dizer que eu tive fé na realização da teoria socialista, e foi por causa disso mesmo que sobrevivi a ele. Eu fui e sou socialista, não somente porque o socialismo é a liberdade real, é a igualdade real e é a fraternidade real, e é a justiça humana e universal, - mas ainda por uma consideração de fisiologia social.

Eu sou socialista porque cheguei à conclusão de que todas as classes que constituíram, até aqui, por assim dizer, as grandes personagens, agentes e vivas, da tragédia histórica, estão mortas. A nobreza está morta; a burguesia está morta e podre. Ela prova isso muito bem atualmente. O que resta? Os camponeses e o proletariado das cidades. Somente eles podem salvar a Europa do militarismo e da burocracia prussianos, estes dois aliados e primos do cnute de meu caro imperador de todas as Rússias.

O que eu vejo hoje na França me mergulha num estado próximo ao desespero. Eu começo a temer, com Herzen, que os camponeses e o proletariado, na França, na Europa, também estejam mortos. E então? Então a França está perdida, a Europa está perdida.

Mas, não! Durante minha curta presença em Lyon e nas cercanias de Marselha, eu vi, eu senti que o povo não estava morto. Ele possui todos os grandes instintos e todas as poderosas energias de um grande povo; o que lhe falta é a organização e a justa direção; não esta direção e esta organização que lhe caem de cima, pela autoridade do Estado, seja recomendada por Sua Majestade imperial, Napoleão III, seja por Sua Majestade republicana, o senhor Gambetta; mas esta organização e esta direção que se formam a partir de baixo, e que são a própria expressão da vida e da ação populares.

É evidente, cidadão Esquiros, que para vos endereçar semelhante carta, é preciso que eu tenha grande fé em vós. E sabeis por que tenho esta fé? Jamais tive a honra de vos encontrar, mas li vossos escritos e conheço vossa vida. Sei que jamais temestes ser um revolucionário conseqüente, que nunca vos desmentistes, e que jamais sacrificastes a causa do povo por considerações de classe, partido, ou por vaidades pessoais. Enfim, Senhor, fostes o único a propor, nesse infeliz Corpo Legislativo, após os desastres que destruíram o exército francês, e, permitai que eu vos diga, no meio da covardia e da estupidez manifestadas por todos vossos colegas da esquerda, - os mesmos que formam hoje o governo da Defesa Nacional, - o único meio que restava para salvar a França: o de provocar, por uma proclamação feita em nome do Corpo Legislativo, a organização espontânea de todas as comunas da França, fora de qualquer tutela administrativa e governamental do Estado. Vós quereis proclamar, numa palavra, a liquidação, ou mesmo a simples constatação da ruína total e da não existência do Estado. Vós teríeis colocado a França, por esta iniciativa mesmo, em estado de revolução.

Eu sempre compreendi, e a esta hora deve ter se tornado evidente para todo mundo, que fora deste remédio heróico não pode haver salvação para a França. Os advogados que compõem vosso governo atual pensaram de outra forma. Privados de todos os meios que constituem a força de um Estado, eles quiseram - pobres inocentes! - brincar de governo do Estado. Com este jogo eles paralisaram toda a França. Eles lhe proibiram o movimento e a ação espontânea, sob o pretexto ridículo, e, dadas as circunstâncias presentes, criminoso, de que eles, os únicos representantes do Estado, devem ter o monopólio do pensamento, do movimento, da ação. Obsedados pelo temor de ver o Estado desmoronar e desmanchar-se em suas mãos, eles guardaram, para conservá-lo, toda a antiga administração bonapartista, militar, judiciária, comunal e civil; e forçaram sua confiança imbecil neles próprios, sua criminosa fatuidade pessoal até o ponto de acreditar que, a partir do momento que estivessem no poder, os próprios bonapartistas, essas pessoas ligadas irrevogavelmente ao passado pela solidariedade do crime, se transformariam em patriotas e em republicanos. Para paliar este erro e para corrigir suas funestas conseqüências, eles enviaram, a todos os lugares, comissários extraordinários, prefeitos, subprefeitos, advogados gerais e procuradores da república, pálidos republicanos, bastardos de Danton, como eles; e todos estes pequenos advogados, todos estes arrogantes de luvas do republicanismo burguês, o que eles fizeram? Fizeram a única coisa que poderiam ter feito: aliaram-se em todos os lugares à reação burguesa contra o povo; matando o movimento e a ação espontânea do povo, mataram toda a França. Agora a ilusão não é mais possível. Já faz quarenta e seis dias que a República existe: o que fizeram para salvar a França? Nada - e o prussiano continua a avançar.

Tal foi o pensamento, cidadão, e tais foram os sentimentos que presidiram a formação do Comitê da Salvação da França, em Lyon, que ditaram sua proclamação, que levaram meus amigos a fazerem essa tentativa de 28 de setembro, que fracassou, não temo em dizê-lo, para a infelicidade da França.

Vários dentre meus amigos, em cartas que endereçaram ao Progrès de Lyon, tiveram a fraqueza de negar o objetivo real desta manifestação fracassada. Eles erraram. Em tempos como o atual, no meio do qual vivemos, deve-se ter, mais do que em qualquer outra época, a coragem de dizer a verdade.

O objetivo era o seguinte: nós queríamos derrubar a municipalidade de Lyon, municipalidade evidentemente reacionária, mas ainda mais incapaz e estúpida do que reacionária, que paralisava e continua a paralisar qualquer organização real da defesa nacional em Lyon; derrubar, ao mesmo tempo, todos os poderes oficiais, destruir todos os restos desta administração imperial que continua a pesar sobre o povo, neutralizar Suas Majestades, os reis de Yvetot**, que pensam reinar e fazer alguma coisa de bom em Tours; e convocar a Convenção Nacional da Salvação da França. Numa palavra, nós queríamos realizar em Lyon o que vós mesmo, cidadão Esquiros, tentastes fazer através de vossa Liga do Midi***, Liga que certamente teria sublevado o Midi e organizado sua defesa, se ela não tivesse sido paralisada por esses reis de Yvetot.

Ah, Senhor, os advogados do governo da Defesa Nacional são criminosos! Eles matam a França. E, se os deixarmos fazer, eles a entregarão definitivamente aos prussianos!

É tempo que eu termine esta carta, já muito longa.

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Notas:
*Nos arredores de Marselha, 20 de outubro de 1870
**Yvetot – Região da França ( Seine-Maritime)
***Midi – Região do Sul da França

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