CARTA AOS INTERNACIONAIS DE BOLONHA*
Mikhail Bakunin
A guerra acaba de ser declarada ao Conselho Geral. Mas não vos assustais, caros amigos, a existência, a potência e a unidade real da Internacional não sofrerão, porque sua unidade não está em cima, não está num dogma teórico uniforme imposto à massa do proletariado, tampouco num governo mais ou menos ditador como aquele que o Congresso dos operários mazzinianos acabam de instituir em Roma; ela está em baixo: na identidade da situação material dos sofrimentos, das necessidades e das aspirações do proletariado de todos os países; a potência da Internacional não reside em Londres, ela está na livre federação das seções operárias autônomas de todos os países e na organização, de baixo para cima, da solidariedade prática entre elas. Eis os princípios que nós defendemos hoje contra as usurpações e contra as veleidades ditatoriais de Londres que, se elas pudessem triunfar, matariam a Internacional, com certeza.
Um Conselho Geral da Internacional, que esteja sediado em Londres ou em outro lugar, só é suportável, possível, na medida em que é revestido de atributos modestos de um Bureau central de correspondência somente. É também aproximadamente o único papel que lhe atribuem nossos estatutos gerais. Mas tão logo ele queira se tornar um governo real, ele se torna necessariamente uma monstruosidade, uma absoluta impossibilidade. Imaginem um tipo de monarca universal, coletivo, impondo sua lei, seu pensamento, seu movimento, sua vida aos proletários de todos os países, reduzidos ao estado de miséria! Mas seda uma paródia ridícula do sonho ambicioso dos Césares, dos Carlos V, dos Napoleão, sob a forma de uma ditadura universal, socialista e republicana. Seria um golpe de misericórdia dado na vida espontânea de todas as outras seções, a morte da Internacional.